São quatro horas da madrugada e vai começar o desafio. Recebo um beijo de boa sorte de minha namorada e subo na bicicleta. Deixo o Hotel Sonho Verde, atravesso a pista e estou indo em direção à Cristalina. Não quero repetir o mesmo erro do Audax 300, onde saí forte e machuquei a coxa direita. Estou confiante e com o psicológico tão firme quanto uma sequoia milenar. Não há nada no mundo capaz de impedir o desejo do meu coração. E meu coração quer o título do Audax 400. Sei que vou conseguir.

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Ao meu lado está o De Souza, também de mountain bike e, como eu, com pneu de trilha. Desde o início percebo que meu amigo gira mais rápido do que eu. Instintivamente, subo o giro, mas meu cérebro manda logo um aviso: “Assim você vai quebrar!” Vejo o De Souza sumir na escuridão e procuro um ritmo confortável. As meninas do Pedala Gama me ultrapassam mas não abrem. Vamos num pelote de sete ciclistas, todos de mountain bike. As meninas dizem com alegria que são a dupla doçura do Audax. Eu me apresento como salgadinho. Risadas. A Dany Chokito sente dores no joelho e, em cima da bicicleta, estica e encolhe a perna, executando a “dança do cisne negro”. Mais risadas.

Até o PC1 são 26km de subida suave. A Dany Chokito some na escuridão com um amigo e eu permaneço no ritmo de aquecimento, levando na aba do meu farol muita gente. Meu farol é fantástico, o sol da meia-noite. De vez em quando passa um grupo de ciclistas por mim. São ciclistas que se atrasaram na largada. Sinto vontade de acompanhá-los, mas estou determinado a completar toda a fase de aquecimento: “Calma, Charles, calma! Controle o que você pode controlar”.

No PC1 encontro o André, o Ferrari e o Pikizeira, que havia girado alguns minutos comigo na fase de aquecimento. Carimbo meu passaporte, atravesso a pista e me mando. Estou indo agora em direção ao Sonho Verde outra vez. Um gordinho na descida é uma alegria a mais nesse mundo. Encontro vários amigos e finjo que sou veloz. Reencontro o De Souza e o Carlos. Improvisamos o “bonde dos gordinhos” e vamos ultrapassando vários ciclistas. À esquerda, os pássaros acendem o pavio do lampião cósmico. O horizonte agora é incandescente. Amanhece.

52km ficaram para trás. Reabasteço as caramanholas no Sonho Verde e verdejante estão as palmeiras da minha esperança. O De Souza agora fechou comigo e vamos no mesmo ritmo, exceto nas subidas, pois ele sobe mais rápido que eu. Optamos por não parar no PA de Ponte Alta e tocamos direto para o PC2. Reencontramos a Dany Chokito sozinha, pois o Carlos havia agarrado o banheiro, acometido de uma diarreia feroz. A Dany não dançava mais a dança do cisne negro. Mesmo assim, alegou dores no joelho e na lombar. Então, disse a ela que na próxima parada emprestaria o gel creme da Medley, presente do amigo Ronaldo Martins no último Audax. Mas veio um ladeira e a Dany Chokito me deixou pra trás. Um ciclista de Minas encostou em mim e disse que iria desistir porque estava com fortes dores no joelho. Ofereci meu gel milagroso, mas ele declinou, agradecendo. Estava mesmo decidido a parar.

Cheguei ao PC2 varado de fome. O De Souza quis me apressar, mas eu falei: “Vou comer meu pão com atum e o senhor está liberado”. Meu amigo disse que iria à frente, girando devagar. Eu fiquei ali com meu peixe e meu pão preto. O Tim, da organização, brincou dizendo que faria um antidoping na lata de atum. Apesar de meu café da manhã ter sido um prato de macarrão, sentia muita fome. Tomei uma Coca-Cola e aquilo deu mais vida a tudo. Devidamente alimentado, parti. Encontrei pelo caminho o Ferrari, o André, a Graci, o Johnny e a Júlia. Eles estavam chegando ao PC2. Cumprimentamo-nos com a alegria costumeira, gritos de “Esse é meu capitão!” ecoaram no ar. Difícil saber se ser capitão desse bando de doidos é elogio ou insulto. Sei apenas que construímos uma relação de admiração e respeito mútuo e isso me deixa feliz.

Alguns quilômetros à frente encontrei o De Souza sentado, ajudando o Laerte a trocar um pneu. Disse a eles que iria manter meu girinho e eles logo me alcançariam. Quando senti a pancada de uma ladeira forte, passei pra vovozinha. Fui respeitando a montanha, olhando a paisagem, curtindo o pedal. É fundamental sentir prazer em tudo que se faz nessa vida. E o meu prazer agora era contemplar as fazendas e as plantações, observar os relevos drapeados, os açudes mansos, os riachos límpidos e as nuvens grisalhas. Via a minha sombra projetada no asfalto. A sombra não sofre as marcas do tempo, não envelhece, não tem textura, nem cheiro. A sombra não pesa. Agora, em toda subida, eu queria ser apenas minha sombra.

O Laerte me alcançou e trouxe o De Souza na roda. Mas eu estava me sentindo bem e o De Souza teve dificuldade para me alcançar. Eu diminuí o ritmo e cheguei mesmo a parar a fim de esperar meu amigo. Fotografamos o momento. O Laerte partiu. Aprendi que os pedais de longa distância são compostos de várias fases. Eu estava numa boa fase e o De Souza parecia estar numa fase ruim. Quando o Isaías passou por nós com sua speed, não tive dúvidas, fui na roda. Eu estava girando agora a 42km/h e era emocionante. Encostei no Flávio e fizemos um trio veloz. Mas quando veio uma ladeira fui forçado a me despedir da carona…sobrei. Olhei para trás e vi apenas um pontinho vermelho no horizonte. Era o De Souza se arrastando. Surpreendentemente, porém, ao cabo da ladeira, meu amigo estava junto outra vez.

Chegamos ao Posto Planet e eu fui direto para o banheiro reaplicar o gel anti-assadura. Olhei as partes nobres do meu corpo e fiquei feliz com o que vi: o ET estava preservado e a Varginha também. Saí do banheiro mais feliz que formiga em tampa de xarope. O De Souza estava com pressa e queria partir logo. E lá fomos nós pescar mais um cardume de quilômetros. Cerca de 20km antes do Posto Eldorado, ficamos atônitos ao ver o primeiro colocado do desafio retornando. Gritei para o Reginaldo: “Aí é campeão!” Cerca de 10 minutos atrás do Reginaldo vinha o segundo colocado. Já passava das três da tarde e nós ainda estávamos longe de Catalão, o ponto mais distante do percurso. Não temíamos mais a pane seca, porque desde a primeira que tivemos passamos a girar com uma garrafa de Gatorade cheia de água. Finalmente, depois de uma bela descida, chegamos ao posto Eldorado.

Ali encontrei um Johnny descrente, reclamando de fortes dores na clavícula, e um Edil completamente derrotado. Olhei para o posto e vi um Ferrari se transformar em chafariz. Ele se refrescava com a água da mangueira. Alguém gritou: “Olha um urso se refrescando!”. Dei um comprimido anti-inflamatório e analgésico ao Johnny e ao Edil. Como paga, ganhei do Edil um vale macarrão. E como vale! Devorei dois pratos de macarrão com dois ovos fritos. Matei uma salada de frutas e comprei guloseimas, minhas alegrias. Antes de sair, disse ao Edil que ele não deveria desistir, pois ele é um ciclista forte e está bem treinado. Disse a ele que num pedal de longa distância existem várias fases e que ele estava numa fase ruim, mas o sol logo cairia e ele voltaria a girar bem. Disse a ele também que o queria nos 600 junto com todo mundo. Partimos eu e o De Souza rumo a Catalão.

Em cada ladeira, uma pancada. Para premiar o meu cérebro, ao cabo de toda subida difícil, eu parava e dava a ele um “pé de moça”, uma paçoca, um prêmio. O sol estalava em nossas costas seu chicote dourado. O rosto fumegava. Eu me sentia uma velha grávida e flatulenta com anemia profunda. Ordenava que meu cérebro pensasse em coisas boas, mas ele estava malcriado e me mandava à merda. Então eu ria o sorriso dos retardados, um abestado no asfalto lutando para não vomitar, barriga cheia, cabeça vazia e a tontura a duplicar o De Souza, “meus fiéis escudeiros”. Não se tratava de Dom Quixote e Sancho Pança, mas do Gordo e o Magro com dois Gordos, a nova comédia Catalunha.

Chegamos ao Posto JK, em Catalão, e apeamos das bicicletas, aliviando as nádegas da pressão do selim. Carimbamos nossos passaportes, entramos no “Bar Balada” vestidos de ciclistas, compramos água e Gatorade e enchemos as caramanholas. Reencontramos o Edil revigorado, agradecido pela injeção de ânimo no último encontro. Em seguida, chegaram o André, o Ferrari, a Graci e a Júlia. Cumprimentamo-nos e partimos.

Respiro fundo, uma respiração feliz, porque agora cada quilômetro girado significa voltar para casa. A casa é um ninho que nos recebe, protege, acolhe. Cilistas são como pássaros: o voo justifica o ninho. O ninho revigora o voo. Estou voltando para casa ao lado de meu amigo De Souza. Ele não conversa muito, apenas responde ou comenta o que eu pergunto ou filosofo. Eu pergunto e filosofo muito. De Souza é forçado a falar. Eu sou um papagaio que vive pedalando, vive pedalando sem nunca mais parar, ai, ai, ai, ai, De Souza, não venha me calar…

Agora, na escuridão, não vemos mais quando a ladeira termina. Sentimos o peso do terreno, trocamos as marchas e seguimos determinados. Às vezes, a ladeira cede, alivia, mas logo em seguida ergue o pescoço, girafa dos infernos! Quando se está cansado, as descidas nem parecem descidas, a bicicleta não rende, aqui se faz, aqui se arrepende. De vez em quando avistamos um ciclista indo para o posto JK. Vejo agora a Dany Laka caminhando, empurrando sua bicicleta no asfalto, tendo atrás de si os faróis do carro da organização. Pelo adiantado da hora e pelos 160km que ela ainda tem de girar, tenho a certeza de que ela não irá conseguir. A cena é dramática. Fico triste.

Absorto, sinto as camadas da escuridão cada vez mais grossas. Na densidade do silêncio, o pensamento é curiosamente lânguido. Luzes surgem em câmara lenta à nossa direita, como uma pequena cidade a pulsar seu coração de neon. Acho que chegamos ao Eldorado através de um misterioso túnel do tempo, porque no cansaço dos músculos o cérebro cai numa bruma e não faz distinção entre o real e o ilusório da questão. E a questão era que as irmãs Cajazeiras Andreia, Carol e Sandra me saudaram como se eu fosse Odorico Paraguaçu. Andreia me beijou na boca me fazendo crer que eu estava na minha bem-amada Sucupira. Comi dois pães com ovos queimados e bebi um litro de suco de laranja. O De Souza tinha pressa, mas eu queria descansar. Fiz tudo devagar, mas diante dos insistentes pedidos do meu amigo, subi na mountain bike e tornei a girar.

Estamos agora encarando uma subida de 6km. Sinto meu peso, minhas pernas, minha respiração. De Souza me convida a parar, sentindo o difícil da escalada. Mais para frente, sou eu quem peço um tempo para o sossego dos batimentos cardíacos. A ladeira acaba. Há uma lua tímida. Seguimos timidamente enluarados. O Edil nos alcança. Em seguida vem Ferrari, André, Graci e Júlia. Eu e De Souza seguimos nos arrastando até o Posto Planet.

O Pedala Mais está agora organizado num destacamento de soldados moribundos. Ficamos sabendo que o João Pimenta desistiu por conta de uma hipotermia. A Graci está verde e vomitando. O Pikizeira dorme sentado como um bebê sonolento. O André tira as sapatilhas, indicando não querer mais brincar de bicicleta. O De Souza continua a me apressar, mas eu preciso ir ao banheiro retocar os fundilhos magoados e assados. Quando volto do banheiro, reparo que o ponto de apoio está precário e não há mais frutas nem sanduíches. Bebo Coca-Cola e sirvo também um copo à Andrea Malafaia , que está exausta, completamente derrotada. Eu, o Ferrari e o De Souza, aparentemente, temos um pouco mais de energia. Faltam apenas 80km. Vamos nessa!

Partimos eu, o De Souza, o Pikizeira e o Edil. Em seguida, partiram André e uma Graci mareada. Ferrari e Júlia tentaram partir, mas retornaram logo em seguida porque o pneu da Júlia furou. Edil e Pikizeira estão girando bem e somem na escuridão. Vou conversando com meu amigo De Souza numa reta comprida e estamos girando a 35km/h. Ele vai na aba do meu excelente farol, ora ao lado, ora um pouco à frente. O acostamento tem uma emenda, sendo que a parte mais lisa é clara e a parte mais áspera é escura. Entre as duas partes há uma saliência quase imperceptível. De repente, o De Souza, que estava a cerca de 2 metros à minha frente, muda da parte clara para a escura. Sua roda dianteira derrapa e ele vai pro chão. Não tenho tempo de fazer nada a não ser atropelar meu amigo, voar sobre ele e me estabacar no asfalto! Estamos os dois no chão gemendo de dor. Minha sapatilha voou e as caramanholas estão distantes. O De Souza geme sem parar e fico muito preocupado com o que pode ter acontecido. Sinto uma dor aguda na região do rim esquerdo e temo tê-lo perfurado. Respiro fundo enquanto observo o farol da minha bicicleta aceso. O breu torna a dor escura.

Após alguns minutos deitados no chão e perguntando sobre as condições um do outro, resolvemos sentar e logo em seguida levantar. A dor aguda no rim diminui, mas sinto um pouco meu joelho esquerdo. O De Souza teve apenas escoriações leves. Estamos bem. Passamos então à perícia das bicicletas. Nenhum dano aparente. Levantamos. Calço a sapatilha, recupero as caramanholas. Os óculos do Souza são deixados para trás, espatifados. Retornamos o giro e o assunto agora é a sorte que tivemos em não termos nos machucado seriamente e nossas bicicletas terem resistido bem ao acidente.

Mais ou menos no mesmo local, soubemos depois, a Graci se acidentou. A bolsa que ela carregava no quadro da bicicleta se soltou e foi se enroscar nos raios da roda dianteira. O capote foi inevitável. Ela bateu forte com o rosto no asfalto, quebrando três dentes e machucando os lábios e o nariz. Foi socorrida pelo carro da organização e metida numa ambulância. Estamos agora todos abatidos e muito preocupados com a saúde de nossa amiga.

Chegamos ao último posto da organização e faltam apenas 50km. Saio com o De Souza na frente dos demais amigos sem saber que o que vou viver agora é uma situação tensa e angustiante. Enquanto converso com De Souza ele dorme sobre a bicicleta, sai do acostamento e entra no mato. Grito com ele para que desclipe a sapatilha, do contrário a queda será inevitável. Ele acorda com meu grito, freia e põe o pé no chão. Tocamos.

Dez minutos depois o De Souza volta a dormir sobre a bicicleta e a entrar no mato. Há uma neblina densa envolvendo a noite. Há caminhões que passam em alta velocidade, muitas vezes a menos de um metro de nós. O perigo toma proporções gigantescas. Eu já me acidentei uma vez e saí incólume, mas sei que no próximo acidente posso não ter a mesma sorte. Penso no Acidente da Thalita às vésperas do Natal. Penso na Graci dentro da ambulância sangrando bastante. O De Souza torna a dormir e agora vai para o meio da pista de rolamento, podendo ser atropelado e se ferir mortalmente. Meus nervos estão à flor da pele. Estou cansado e o sono agora também cai sobre mim. Sinto-me tenso e extremamente irritado. Sinto medo. Passo a ter pressentimentos terríveis. Posso sentir a morte no ar, farejando nossos corpos.

Pikizeira, Ferrari, André e Júlia nos alcançam. Digo a eles que o De Souza está, literalmente, caindo de sono. O André improvisa uma música para que o De Souza cante e permaneça acordado, mas ele só canta as primeiras estrofes e volta a dormir sobre a bicicleta. Ele pede para pararmos um pouco e continua jogando água na cabeça, na esperança de se manter acordado. Agora, o De Souza corre grande risco de dormir rapidamente, pois quem está ao seu lado é o Pikizeira, que não dá uma palavra enquanto pedala. Percebo o perigo e peço ao Ferrari para ficar ao lado do De Souza. Ferrari passa então a improvisar, como fez o André, uma música para que todos cantem, principalmente o De Souza. A Música acaba, o De Souza dorme. Agora ele vai ziguezagueando, bêbado de sono. Eu me desespero e sei que ele vai se machucar seriamente. Perguntamos se ele está bem e ele confessa que as vistas estão se fechando sozinhas. Fim de linha. Fazemos uma reunião a 21km da chegada e, em consenso, decidimos que o De Souza deve parar. O Francisco, da organização, encosta o carro e tenta incentivá-lo, mas ele não tem condições. Imploro para que o De Souza desista. Pretendo proteger meu amigo. O Francisco acompanha o De Souza até o Posto Ponte Alta.

Exausto, muito assado e com o coração pesado, deixo meu amigo para trás e sigo girando acompanhado agora pelo Piki. Conseguimos imprimir um bom ritmo, mas nas ladeiras mais inclinadas perdemos velocidade e sentimos o peso do Audax 400 em nossas costas. O carro da organização encosta e vejo minha amada dentro. Ela me avisa que faltam apenas 6km para o fim do sofrimento e isso me dá um novo gás. Meu farol segurou firme 14 horas de escuridão e neblina. Peço ao Pikizeira que cante algo para alegrar a chegada e ele vai de MPB: “É só isso/ Não tem mais jeito/ Acabou, boa sorte/ Não tenho o que dizer/ São só palavras/ E o que eu sinto/ Não mudará/ Tudo o que quer me dar/ É demais/ É pesado/ Não há paz/ Tudo o que quer de mim/ Irreais/ Expectativas/ Desleais…

O ciclo computador acusa que faltam apenas 2km. A bunda fumega e o selim parece que vai entrar no meu corpo, um Papanicolau num corpo masculino. Não tive câimbra e nem há sinal delas em meus músculos. Em compensação, um raio X acusará um selim nos intestinos. Estou feliz porque estou prestes a fechar o Audax 400. Esboço um sprint e o Pikizeira vem junto. Eu estou bufando, louco para acabar com esse sofrimento. Converso alto comigo e digo que falta pouco. O Terreno inclina mais uma vez e eu nem me importo, soco a bota! A luz do posto BR fica mais nítida e irrompe no nevoeiro. Comemoro sem muita empolgação com meu amigo. Atravessamos a pista. Não estou nem alegre nem triste. Sabia desde o início que iria conseguir, porque não há nada no mundo capaz de impedir o desejo do meu coração. Beijo a minha namorada, tiro fotos com o troféu na mão. Depois, no quarto, antes de pegar no sono, lembro-me da frase de Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Adormeço nos braços da minha amada e não desejo mais nada.

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